De Londres a Berlim

Falta tempo para relatar tanta coisa que está acontecendo. Mas vamos tentando! Depois do giro pela Escócia e Irlanda do Norte, foi a vez de participar de um encontro com estudantes de PhD e professores da Westminster School of Media, Arts and Design, em Londres. Em um tour pelas instalações da universidade, fomos recebidos por quem trabalhava em cada setor. Coisa fina, do tipo ensinar a fazer um programa televisivo de música em estúdio como o do Jools Holland, na BBC 2.

Também peguei um Cardboard que a Google estava distribuindo em parceria com o semanário New Musical Express, em algumas estações londrinas. É um “óculos” de papelão em que você encaixa seu celular e pode assistir a materiais que oferecem experiência de realidade virtual. Basta baixar o aplicativo no smartphone e plugar os fones de ouvido. No lançamento, dava para entrar em uma cabine, sentar em uma das cadeiras giratórias (essenciais para a atividade!) e usar um dos aparatos, que vêm dobrados em caixinhas como esta, aí embaixo à direita. Na cabine, eles já estavam prontos para assistirmos a um documentário sobre o estúdio Abbey Road, produzido para termos uma ideia de como é estar dentro de suas salas, perto dos músicos e produtores.

Tenho me perguntado muito sobre experiências acústicas em 360 graus, mas vou deixar isso para quando comentar algumas apresentações às quais assisti no ISSTA que têm a ver com esse tema. Daí, também, já junto com a discussão sobre realidade aumentada na programação do encontro anual da AoIR (Associação de Pesquisadores em Internet), que acaba de acontecer em Berlim. Fui selecionada para participar do colóquio doutoral do evento, organizado pelo professor Ben Light, da Universidade de Salford. Excelente oportunidade de receber conselhos de diversos professores e pesquisadores, além de compartilhar experiências com outros estudantes de doutorado de vários países.

credencial-aoir-berlim-2016O único porém – além de (ainda) não ter tanta coisa sobre som – é que a conferência reúne basicamente gente dos Estados Unidos, de parte da Europa e Oceania, limitação da qual alguns organizadores estão cientes e se questionam. Tenha sido de forma elogiosa ou crítica, as políticas das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro foram citadas nos dois principais momentos da AoIR 2016, tanto na conferência principal da holandesa José van Dijck, que falou sobre a nova sociedade de plataformas e os valores públicos em um mundo conectado, quanto no debate central “Who Rules the Internet?. Dos 30 países representados pelo conjunto de mais de 500 pesquisadores, só Chile, México e Brasil figuravam da América Latina. Nenhum da África. Da nossa parte, em que pese o fato de que entre os poucos brasileiros talvez fôssemos muitas mulheres, não creio que negros e indígenas tenham participado, por exemplo.

A AoIR 2016 aconteceu nas dependências da Universidade Humboldt de Berlim, que fica na região central da cidade, nos arredores da Unter den linden, mesma avenida que vai dar no Portão de Brandemburgo, e também do lado do rio Spree, vizinha à Ilha dos Museus. Parte do campus vai até as linhas férreas conectadas à estação Friedrichstraße. Esta era a paisagem:

Quando terminou o evento, fui ainda outras vezes à universidade, porque acabei recebendo um retorno muito positivo do professor Wolfgang Ernst, do Departamento de Estudos de Mídia. Busquei alguma orientação porque estou lendo alguns textos dele vertidos para o inglês que têm me ajudado a pensar o som e o digital. Embora não tenha conseguido encontrá-lo pessoalmente, Herr Ernst gentilmente me convidou a visitar o acervo Media Archaeological Fundus e também o Signal Laboratory.

Novo livro de Wolfgang Ernst
Novo livro de Wolfgang Ernst

Sei que está ficando cansativo dizer isso, mas neste post não me estenderei muito sobre esses espaços, mantidos para que se possa ter contato direto com diversas mídias desenvolvidas ao longo do tempo. O motivo é que pretendo publicar em breve uma entrevista que fiz com o pesquisador Dr. Jan Claas van Treeck, que me guiou pelos lugares e ideias ligados àquele departamento. Apesar do contato muito breve, foi suficiente para eu aprender muito. Em breve compartilho parte disso com vocês.

Interface do aplicativo RØDE Rec
Interface do app RØDE Rec

Em Berlim também pude encontrar Udo Noll, criador do mapa sonoro Radio Aporee, uma fonte e tanto para minha pesquisa de campo. Durante a conversa, mostrei a ele o microfone do celular. Noll acabou me dando a dica de não deixar nunca o microfone captando em um volume muito baixo, mesmo correndo algum risco de estourar em caso de eventos acústicos mais potentes ao redor. Para ele, a visualização da onda sonora na tela ajuda a perceber quando estamos captando algo realmente interessante. Isso acontece quando a onda está minimamente expressiva em termos visuais. E isso significa uma aparência bem mais “cheia” do que esses risquinhos mostrados na imagem ao lado, gerados pela gravação que fiz enquanto rumava para nosso encontro.

Ouvindo esse registro e testando o equipamento comigo, ele acabou gravando parte do conselho. Finalizo então o relato com essa gravação incidental, que talvez inspire iniciantes.

:: Este doutorado sanduíche está sendo financiado pela Capes – Ministério da Educação do Brasil, por meio do Programa Professor Visitante do Exterior (PVE), do Ciência Sem Fronteiras ::

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2 Comments

  1. Gostei do seu relato e agora tô acompanhando seu blog :)

    Por falar em som, o trem passando ao lado não atrapalha a aula na universidade?

    1. Valeu! :)

      O trem lá em Berlim não se escuta muito de dentro das salas. Eles têm esses janelas com vidros duplos, sistemas de vedação eficientes que isolam o clima e também o som. Em Londres, o prédio de aulas é um pouco mais distante. Mas muita gente mora perto de trilhos, é inevitável. A malha férrea é muito extensa. Se não tiver vedação, fica meio difícil mesmo de estudar.

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