Petrus e “O Som do Tempo”

Depois de uma rápida temporada entre São Paulo e Rio de Janeiro, para ver shows e participar de uma comissão de seleção de projetos na área da música, volto a Porto Alegre e descubro que chegou à cidade a mostra itinerante do Itaú Cultural, com obras selecionadas no Rumos Cinema e Vídeo.

Entre elas, está um curta muito interessante chamado “O Som do Tempo”, produzido em Fortaleza. Eu já estava conversando em paralelo com o Petrus Cariry sobre esse trabalho dele, um documentário feito para a web. Mesmo não tendo acabado o papo (e qual é o papo que se fecha?), o momento é oportuno para reproduzir parte de sua fala.

“Moro em prédio residencial antigo cravado no bairro Aldeota, na rua da frente existe uma pequena casa da Dona Maria, que leva sua vida como se nunca tivesse saído do sertão. A vida de Dona Maria é bastante simples, uma simples casinha dentro de um terreno, a contemplação da vida e luta para se manter viva. Como a casa de Dona Maria é cercada de prédios, eu quis fazer uma analogia, uma ponte entre a cidade e o sertão.

O meu querer é simplesmente utópico. Eu queria registrar a vida daquela senhora, que apesar de todas as dificuldades, tenta persistir no seu ritmo e na sua velocidade, resistindo ao ritmo de vida alucinante em que vive hoje a sociedade de uma forma geral.  A cartela inicial do filme já diz de tudo, “O sertão está em toda parte, o sertão é dentro da gente.” – Guimarães Rosa. Um dos pontos fortes do filme é o som, enquanto dona Maria vive ao seu modo, lavando suas roupas e praticamente excluída do seu entorno. Os sons de pássaros e da natureza em geral ajudam-na a se isolar, criando uma trilha autônoma que ajuda a criar um clima de imersão sensorial. Existem os sons da cidade que entram na banda sonora do filme, mas Dona Maria simplesmente não percebe por estar imersa em seu mundo.

“O Som do Tempo” está sendo exibido até 05 de dezembro no espaço expositivo que fica no térreo da Usina do Gasômetro (Av. Presidente João Goulart, 551), de terça a domingo, das 9 às 21 horas. Pode chegar, a entrada é franca.

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1 Comment

  1. muito legal o vídeo! eu sempre pensei sobre isso! existe um entorno de sons, que compõem uma trilha sonora da vida! e existem os sons internos! as vezes nem nós mesmos damos espaço para nem uns, nem os outros serem ouvidos! penso que a música contemporânea causa ainda um certo desconforto, porque o ouvinte se depara com “sons” que são camuflados pelo sistema da “normalidade”! e naquele momento ele é “convidado” a entar em contato com tudo o que esses sons representam! a negação é sempre o caminho mais confortável, né! parabéns pelas postagens! já me inscrevi para recebê-las! :)

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