Leituras, Pesquisa

Novo livro: Som direto no cinema brasileiro

Novo livro de Márcio Câmara

Quem busca uma contextualização do campo de trabalho em captação de áudio para o cinema no Brasil, agora tem à disposição o novo livro de Márcio Câmara. Ele se reveza há décadas entre as tarefas de realizador audiovisual, técnico de som direto e professor (eu mesma já fui aluna dele, no Instituto Dragão do Mar).

Nesta publicação, além de tratar do que faz o técnico de som direto e trazer dicas quentes para esse trabalho, Márcio também apresenta uma série de desafios enfrentados no país ao longo do tempo. Passa pelas mudanças dos padrões de gravação e os resultados nas obras, desde a chanchada até o Cinema Novo, chegando à produção de nossos dias. Relata também acontecimentos que marcaram o desenvolvimento da área e dá nome aos pioneiros, contando como os profissionais do som direto driblaram criativamente problemas como a defasagem tecnológica. A influência de questões estéticas, políticas, tecnológicas e de mercado não passam batido, tornando a obra mais densa.

Graduado em Cinema pela San Francisco State University, Márcio Câmara já trabalhou no som de filmes como Lavoura Arcaica (1999), Cinema, Aspirinas e Urubus (2003) e Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2010). Estes são apenas três dos títulos pelos quais ele foi repetidas vezes indicado a prêmios da Associação Brasileira de Cinematografia e da Academia Brasileira de Cinema. Também produziu e dirigiu o documentário Rua da Escadinha 162 (2003), ganhador de trinta prêmios. Bati um papo com Márcio Câmara sobre o livro que está lançando.

Que perguntas te guiaram para chegar a este resultado?

As perguntas já são parte de uma curiosidade sobre a minha própria profissão. O que me guiou foi o que chamei de invisibilidade do trabalho criativo do Técnico de Som Direto na cadeia audiovisual. Busquei na resposta dos meus pares algumas respostas para esclarecer algumas indagações sobre a profissão, tentando perfazer um caminho histórico do uso de som direto no cinema brasileiro contemporâneo.

Você contou com alguma agência ou instituição apoiando?

A Capes. O livro é a minha dissertação de mestrado, que defendi na UFF – Universidade Federal Fluminense, em Niterói, de 2013 a 2015.

O som do cinema brasileiro já foi muito criticado. Ainda cabem as mesmas críticas hoje?

Não, não mais. Esse estigma de que o som no cinema brasileiro é ruim já não é mais uma realidade. Isso se deve a alguns fatores: melhoria dos equipamentos de captação, a efetivação da profissão de edição de som e da digitalização desse processo, e principalmente a melhoria nos sistemas de reprodução de som nas salas de cinema. Isso não quer dizer que a prática de captação de som direto no set tenha se tornado mais fácil, mas que já atingimos um grau de excelência sônica igual a qualquer outra cinematografia.

Qual a importância de estudar o som no cinema?

Bom, sem som não temos a primeira parte da palavra audiovisual. E esses estudos sobre som são muito recentes, por volta de meados dos anos 80, em outros países. No Brasil, só muito recentemente é que temos uma vasta bibliografia que aborda essas questões sonoras. Por isso o livro aborda questões históricas, para fazer pensar sobre o papel dessa pessoa que é a responsável pela captação dos sons no set de filmagem e a sua participação criativa no processo audiovisual como um todo.

Você está familiarizado com a prática de gravação de campo (field recording)? Se sim, que diferenças poderia apontar entre esta prática e o trabalho do profissional responsável pelo som direto?

Sim, estou. O trabalho do Técnico de Som Direto, desde que dado o seu devido espaço e tempo, é exatamente a mesma coisa dessa prática que menciona. Só que o Técnico de Som Direto está captando sons para fazerem parte de um filme, que contém imagens. Se ele for só delegado para a captação de diálogos no set de filmagem o seu trabalho pode ficar restrito a isso. Depende de quem efetivamente dirige o filme ter a percepção da importância do som na sua narrativa, para tornar livre e delegar a esse Técnico de Som Direto a função de ajudar a contar a sua história sobre uma perspectiva sonora.

O que você tem feito ultimamente?

De uns anos pra cá, tenho mesclado a minha atividade de Técnico de Som Direto com a de realizador e também a de professor. Passei a fazer meus filmes e a dar aula em diversos lugares do Brasil sobre som, não só na sua prática como também na sua história e na sua estética. Isso ampliou bastante os meus horizontes e o livro é um legado que deixo sobre um tema que nunca foi contemplado pela academia e que agora está disponível para estudo.

Para adquirir o livro, basta entrar em contato com o autor, pelo e-mail euphemiafilmes [arroba] gmail.com.

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Gravação, Pesquisa

Belfast “in situ”

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Exposição no Ulster Museum

Os poucos dias em Derry foram tão intensos, graças à rica programação da Associação Irlandesa de Som, Ciência e Tecnologia (ISSTA), que vou pular relatos do evento e vir diretamente escrever sobre Belfast. Embora tenha ido à cidade encontrar pesquisadores do Sonic Arts Research Centre, também vou falar de som só mais adiante. Tendo estado nas duas maiores cidades da Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, não posso deixar de adiantar alguns motivos pelos quais, aqui, identidade e território são um tema gritante. Se, na Escócia, a língua é um marcador de divisões entre grandes porções de terra (Highlands e Lowlands), nestas cidades os limites chegam à escala de bairros, quadras, ruas e até calçadas.

Esse nível de segregação ganhou contornos particulares a partir do fim dos anos 60, quando comunidades católicas – mais identificadas com a ideia de uma só Irlanda independente, ligadas a um background de classe trabalhadora com menor acesso a bons empregos e melhores salários, e sentindo-se destituídas de plena representatividade política – começaram um grande movimento por direitos civis. Houve repressão, sendo o Domingo Sangrento o mais conhecido deles: catorze civis desarmados em uma marcha reivindicatória foram mortalmente atingidos por tiros disparados por soldados britânicos no ano de 1972, em Derry. O crescente conflito, com baixas de ambos os lados, é conhecido como The Troubles.

Apesar do cessar-fogo estabelecido nos anos 90, a segregação espacial atingia cerca de 98% dos projetos de habitação de interesse social em Belfast, em dados divulgados em 2004. Há várias marcas visuais dessa situação, como as bandeiras hasteadas ostensivamente por muitos que se consideram acima de tudo britânicos, e que são predominantemente protestantes. Nisso, a comunidade católica é mais discreta, o que não deixa de ser curioso se lembrarmos que uma das grandes características da Reforma foi a negação do culto a imagens. Quando a questão é o Estado, a idolatria parece imperar entre alguns lealistas mais extremados.

celtic_fc_logoAo invés de flâmulas nas casas e nas ruas, quem abraça mais a identidade irlandesa costuma levar outro tipo de bandeira no próprio corpo. É muito comum ver adultos, jovens e crianças vestindo a camisa do Celtic Football Club, de Glasgow. A cor verde simboliza a tradição gaélica na bandeira da independente República da Irlanda. Também referência celta é o trevinho (shamrock, do gaélico seamróg) no escudo do time escocês. As três folhinhas estão também associadas a São Patrício, santo católico que dizem ter usado a trinca para explicar a Santíssima Trindade durante suas pregações pela ilha, ainda no século V. Esse é um grande exemplo do complexo imbricamento simbólico entre catolicismo, tradição gaélica e ideal irlandês.

Há outros dois aspectos muito fortes da segregação a citar. O primeiro é o uso de muros e até mesmo portões altamente fortificados, que fecham permanente ou temporariamente determinadas áreas da cidade, para evitar o contato seguido de confronto entre membros mais fervorosos das duas comunidades (como jogar pedras uns nos outros). Isso faz com que seja possível cruzar certos bairros de dia, mas não à noite, quando é preciso dar toda uma volta, caso se queira ir do centro até alguma vizinhança para além desses espaços mais belicosos. E mesmo com os muros altos, ainda tem quem erga um pau da bandeira, pra que vejam do outro lado. Atitude considerada infantil por muita gente, independente da comunidade de origem.

Muros são usados para demarcar território e identidade, seja física ou simbolicamente

O segundo aspecto é o uso dos muros para constituir/disputar narrativas históricas e identidades de lugar por meio das pinturas. Os murais de Belfast (assim como os de Derry) costumam enaltecer pessoas assassinadas e figuras que se destacaram nas lutas, desde grupos que fizeram greve de fome e atuaram pelas vias políticas mais tradicionais até os que se envolveram em guerrilha urbana. Ambos os lados do conflito tiveram seus grupos paramilitares. Entre os maiores estão os antagônicos IRA (Exército Republicano Irlandês) e UDA (Associação de Defesa do Ulster). Mascarados portando fuzis e outras armas de grosso calibre são bem comuns entre as figuras representadas, permeando a paisagem da cidade com imagens de guerra.

Mural Irlandês

Mural do republicanismo irlandês, nas imediações da Falls Road, em Belfast

Mural em comunidade protestante

Fachada lateral com mural loialista de Ulster, também na capital da Irlanda do Norte

Muros, portanto, são usados para demarcar território e identidade, seja física ou simbolicamente. Há pelo menos dois projetos de mapeamento dos murais em plataformas online: o Virtual Belfast Mural Tour e o Belfast Murals. Este último tem a vantagem de trazer pinos indicativos em três cores, incluindo um terceira categoria de murais. Parte das pinturas caracterizadas como “sócio-culturais” parece transcender a dualidade do conflito. Exalta-se a indústria de Belfast (onde o Titanic foi construído), ou celebra-se figuras como jogadores de futebol e artistas nascidos na cidade, como é o caso do autor de “As Crônicas de Nárnia”, C.S. Lewis.

Virtual Belfast Mural Tour

Belfast Murals

Gostei particularmente deste mural, à beira do Rio Lagan:

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Bom, agora vamos ao som!

29428483600_9eef75f1ed_oAs ruas em que moram principalmente católicos têm seus nomes grafados tanto em inglês quanto em irlandês, o que evoca, para além da caligrafia gaélica, uma sonoridade peculiar no âmbito da fala. Mas não ouvi ninguém falando irlandês. Convivi alguns dias com uma garota que estava chegando de Dublin, onde ela diz que se fala mais o inglês do que o gaélico do Eire. Então quando penso em um som marcante da comunidade católica-irlandesa-nacionalista em Belfast, não dá para dizer que essa língua falada chegue a ser predominante como elemento sonoro.

Já sons que marcam uma identidade protestante-britânica-lealista são bem mais audíveis pela cidade. Além do som corrente do inglês, logo no primeiro dia esbarrei com uma parada de rua, com uma banda marcial cruzando uma vizinhança. Depois de ver tantos murais, não é estranho que a percussão lembre o som de rajadas de balas.

Eis o registro:

A coisa foi tão rápida e inesperada, que não deu pra puxar o microfone. Foi em mono mesmo, e sem proteção de vento. Também não deu pra fazer o registro visual da banda. Fotos, só do carro da polícia, que já estava ali antes e lá permaneceu depois da passagem dos músicos. Incrementado com telas de proteção, funciona como uma espécie de baliza. A viatura inibe confusões, como disse a pessoa que estava nos guiando. Achou melhor ir perguntar ao policial se podíamos tirar foto do automóvel. Como foi liberado, uma meninada de oito a dez anos que ali passava se sentiu autorizada a rondar animadamente o carro. Para organizar, o policial veio e disse para os meninos se aglomerarem, que ele mesmo tirava foto de todos juntos.

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Detalhe do guia para os organizadores de desfiles

Depois de alguns dias, fui ver se havia na internet algum vídeo dessa banda que presenciamos passar. O que encontrei foram dezenas e dezenas de registros audiovisuais de bandas que desfilaram naquele mesmo dia, mas nenhuma “West Belfast”, como estava escrito no bumbo deles. Ou seja: não só tem muita banda, como tem bastante desfile.

A maioria é ligada às comunidades protestantes. A proporção é a seguinte:  2.851 lealistas/unionistas e 219 nacionalistas/republicanas no último ano, segundo relatório da comissão não-governamental que regula todos os desfiles. Todos mesmos, até a parada gay daqui. Mas os maiores problemas são desfiles associados ao estatuto político da Irlanda do Norte, ou seja, seu atrelamento ou desatrelamento do Reino Unido. Embora a comissão tenha sido constituída no cessar-fogo dos anos 90, as confusões são tão antigas quanto os desfiles de bandas marciais, datando do século XVIII. A segregação não é de hoje.

Cerca de cinco mil reclamações foram registradas no último ano, e duas paradas culminaram em “desordem pública”. Em outras três (entre as quais, uma parada anti-imigração), “as tensões foram grandes”. Apesar da presidente da comissão, Anne Henderson, reconhecer que várias desavenças de longa data permanecem por resolver, também afirma que “a tendência crescente dos organizadores em responder positivamente às comunidades locais no planejamento das paradas tem contribuído para um ambiente de desfiles cada vez mais estável, e mesmo que disputas entrincheiradas apresentem oportunidades limitadas para o progresso no presente, não são de impossível resolução”.

Mediação da comissão de paradas envolve o estabelecimento de percursos

Boa parte do trabalho desse órgão independente “quasi-judicial” diz respeito à regulação de atividades sociais no que concerne ao espaço e ao som. “O organizador deve considerar o percurso da parada”, diz o manual dirigido a organizadores. A preocupação recai sobre zonas comerciais, lugares de devoção, memoriais e cemitérios, mas também “áreas de diferente tradição” ou “áreas de interface”, onde é preciso tocar mais baixo (“there should be no excessively loud drumming“), ou até deixar de tocar, se houver cultos acontecendo (“when church services are taking place, no music should be played“).

A Parada do 12 de Julho, ou Orangemen's Day, se repete desde o século 18 (Foto: Sam Woodcock, CC, 2012)

A Parada do 12 de Julho, ou Orangemen’s Day, se repete desde o século 18 (Foto: Sam Woodcock, CC, 2012)

As diretrizes que a comissão impõe reforçam um entendimento entre as partes: organizadores que entram em contato com as comunidades por onde passarão, mostrando boa vontade, têm mais chance de ter permissão de desfilar. Da mesma forma, representantes de comunidades que não respondem positivamente a essas tentativas de envolvimento dos organizadores têm menos chance de conseguir defender restrições em relação a uma parada.

Mas se o número de desfiles é muito grande em determinada área, a comissão também costuma rejeitar algumas solicitações. Nem tanto, nem tão pouco: se durante vários anos houve restrições de percurso em certas zonas, o órgão costuma reavaliar e deixar passar desfiles de novo. Assim, parece evitar que se consolidem “áreas de desfile” e “áreas sem desfile”. Esse jogo de territorializar-desterritorializar-reterritorializar as paradas, eventos que expressam acusticamente as divisões sociais no espaço público, apresenta-se como uma tentativa de arrefecer a segregação.

Outras bandas, outras relações, outras repercussões…

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Há um outra tradição de grupos musicais na Irlanda no Norte que contrasta com essas bandas, em termos estéticos e sociais. Brass bands são bandas de metais, instrumentos de sopro como trombone e trompete, que dependem da vibração dos lábios. Mas muitas bandas também usam sopro de madeira e percussão, como as de New Orleans. É grande a diversidade, já que comunidades de vários lugares no mundo acabaram por desenvolver seus próprios estilos. O britânico, por exemplo, é muito característico, conhecido e documentado.

As brass bands de Belfast, por sua vez, foram recentemente tema de um áudio-documentário que só pode ser ouvido na cidade, por meio do aplicativo de celular Belfast Soundwalking. Tive a oportunidade de baixar o programa e seguir a caminhada sonora temática no Jardim Botânico. O resultado foi a audição de várias entrevistas interessantes, de muitas nuances do sotaque irlandês e de uma seleção musical maravilhosa, enquanto passeava por um lugar lindo!

Casa da Palmeira vitoriana do Botanic Gardens

Casa da Palmeira vitoriana do Botanic Gardens

Os integrantes das bandas contam, por exemplo, que nos anos 1970 não era cool participar de brass bands. Pelo que entendi, as “bandas de flauta” é que eram a grande sensação. Ao mesmo tempo, um dos músicos entrevistados relata como a segregação pouco afeta a dinâmica das brass bands – e se diz orgulhoso por isso. Para mim, apesar de também estarem associadas a um contexto militar e evocarem certo triunfalismo, essas bandas têm um som muito mais lúdico e acolhedor, que faz carinho nos ouvidos. Já as bandas marciais como a que passou por nós no outro sábado soam para mim bem mais sérias e regimentais, chegando aos ouvidos com certa violência, em estampidos múltiplos e fortes.

Agora dá uma escutada nisso:

O app Belfast Soundwalks foi desenvolvido por pesquisadores da Queen’s University de Belfast, com coordenação de Pedro Rebelo, que já foi entrevistado aqui pelo blog.  A brincadeira é a seguinte: a gente escolhe uma das caminhadas disponíveis (vai ter post só sobre isso em breve, espero) e para iniciá-la é preciso andar até o lugar indicado. O aplicativo lê nossa posição no GPS e dispara os conteúdos em áudio a partir dali.

No caso do áudio-documentário produzido por Paul Wilson e David Bird sobre as brass bands, uma sequência indicada por números orienta o passeio. Isso não impede que cada um “edite” sua própria caminhada, alterando a narrativa e a experiência do espaço. Aí embaixo tem a tela do momento em que eu estava indo do ponto 4 para o ponto 5.

Eu “sou” essa setinha preta, apontando para baixo, repara:

Usando o app Belfast Soundwalkings

Usando o app Belfast Soundwalkings

Chuva: saída pela esquerda!

Chuva: saída pela esquerda!

E essa sou eu indo embora sem ouvir a parte 6, porque o tempo estava virando e estava sem casaco de chuva. Achei melhor me encaminhar pra casa, que era na contra-mão do último ponto. Mas o conteúdo do ponto 5 me acompanhou por boa parte do caminho. O que depende da posição exata é apenas o acionamento, o “play“. É preciso estar exatamente ali, naquela coordenada, para poder ouvir o que o aplicativo oferece. Nossa conexão à internet se encarrega do resto.

A experiência que tive será, sem dúvidas, memorável. Quando ouvir o som de brass bands daqui em diante, é bem provável que me lembre dessa tarde no Botanical Gardens em Belfast. Quando falamos de espaço, falamos de relações. E é isso que o aplicativo promove. Ele dá relevo a outras músicas locais e ao congraçamento que há por trás delas, nos deixando envolver por esta outra Belfast que soa, bem mais afetuosa. Se tanta gente consegue escutá-la, não sei dizer. Mas além dessa iniciativa audível, há muitas outras bandas tocando nos becos do centro e há as risadas nos pubs, onde foi fácil sentar e começar a conversar com desconhecidos, tomando uma Guiness com eles.

A segregação existe? Existe. Mas o local que me recebeu em sua casa disse acreditar que, quando as pessoas puderem comprar suas próprias casas, talvez escolham viver mais misturadas. Foi o que ele fez há dois anos. Durante uma semana vivi ali, dando bom dia aos vizinhos pegando sol com seus bebês e vendo as crianças deles pararem de bicicleta para ver o cachorro, cujo pêlo meu anfitrião escovava sentado no batente da porta de casa. Super de boa. <3

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Arte, Eventos, Gravação, Pesquisa

Mulheres e gravação de campo na América Latina

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Mulheres que realizam gravações de campo na América Latina podem se inscrever até este domingo, dia 18 de setembro, na chamada que está sendo feita em conjunto pelo GrISPerú: Grupo de Investigación Sonora del Perú, pelo festival colombiano En tiempo real e pelo coletivo Poliedro [Soundscape].

A ideia é formar um coletivo de “paisagistas sonoras” online, que possam compartilhar entre si sons de seu lugar: “suas palabras, seus ruídos, seus silêncios, suas caminhadas e outros elementos que compõem suas paisagens sonoras”. Esse material – áudios, imagens e textos – integrará uma plataforma da Rede Poliedro Soundscape.

Neste momento, não precisa enviar nada. Basta inscrever-se no evento que foi criado no Facebook, manifestando seu interesse em participar do projeto. Já mais de 150 confirmaram presença e há outras 160 interessadas. Apaixonadas pelo tema que não são artistas nem engenheiras de som também são bem vindas.

Os passos seguintes para participar são:

  • Cada participante deve produzir sua gravação de acordo com a temática “América Latina se escuta“;
  • Duração de cada gravação: entre 5 e 15 minutos;
  • Imagem do lugar do registro sonoro (de preferência com a participante incluída);
  • Identificar a localização da gravação no Google Maps;
  • Nomear o dispositivo tecnológico utilizado (microfone, gravador);
  • Formato: 44.1 kHz / 16 BIT / WAV ou AIFF
  • Informar data do registro, a hora e a distância;
  • Descrever em 200 palavras (máximo) as circunstâncias em que foi realizado o registro.

Para saber mais sobre os grupos que estão puxando a chamada, basta ler a convocatória em sua íntegra.

Vai ter “Invisible Places” em 2017!

cartaz-final_lowAcabou ser lançada a chamada para a conferência que dá continuidade às discussões do encontro que aconteceu há dois anos em Viseu, Portugal. Desta vez,  acadêmicos, artistas e teóricos convidados para o Invisible Places se encontrarão nos Açores, de 7 a 9 de abril do próximo ano. O nome do evento perdeu o “Sounding Cities”, mas foi mantida a temática “som, urbanismo e sentido de lugar”.

Até o fim de novembro, aceita-se propostas de artigos (resumos), residências artísticas, workshops e caminhadas sonoras. O artigos devem observar os três eixos do encontro (design de paisagem sonora, escuta revela, e arte sonora e ecologia) e os artistas devem trabalhar com som e gravação de campo, além de considerarem bastante os aspectos ambientais característicos da Ilha de São Miguel. Mãos às obras!

Mais um evento na Holanda

Enquanto isso, peresquisadores da Universidade de Leiden recebem até o dia primeiro de outubro resumos para a conferência “The Role and Position of Sounds and Sounding Arts in Public Urban Environments“, que acontece na cidade de Leiden nos dias 29 e 30 de novembro. Os palestrantes principais serão Salomé Voegelin, Gascia Ouzounian, Holger Schulze e Jean-Paul Thibaud.

Três questões orientam o encontro:

  • Como os sons em geral, e a arte sonora em particular, contribuem para a atmosfera geral de um espaço público urbano?
  • Que experiência os usuários desse espaço –moradores, turistas, pessoas que trabalham nessa vizinhança, traseuntes – têm dessas qualidades sônicas e como isso influencia seus comportamentos e a função desse espaço?
  • Como podemos, em um nível teórico, desenvolver uma nova ecologia sônica?

Os Países Baixos aguardam nossa contribuição.

 

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Gravação, Pesquisa

Novas andanças em Glásgua

fachada cca radiophrenia

Nos últimos dias, quando não estou sentada no hall de entrada do Centre of Contemporary Arts de Glásgua, onde há umas mesinhas onde ligar o computador e umas caixas de som ligadas na transmissão da Radiophrenia, estou batendo perna por aí. A arquitetura vitoriana do século XIX enche os olhos desde os primeiros momentos, mas a cidade ainda guarda alguns edifícios medievais e é bastante conhecida por um grupo de artistas que, no início do século XX, ajudaram a definir a art nouveau como estilo.

ATENÇÃO: as gravações que vocês vão ouvir é de alguém fazendo suas primeiras tentativas, com novos aparelhos, em lugares novos, descobrindo que a capinha de esponja que vem com o microfone para o iPhone transforma o impacto do vento em um ruído grave que atravessa praticamente todas as gravações feitas ao ar livre. Ainda não adquiri um fone de ouvido, por isso não me dei conta na hora dos registros. No instante de gravar, estava dedicada a uma escuta não mediada pelo equipamento. Então vocês vão acompanhar meu desenvolvimento na prática da gravação de campo, no melhor estilo faça-você-mesma. Apreciarei comentários e dicas na caixa de comentários aí embaixo. :-)

ATENÇÃO: as gravações que vocês vão ouvir neste post é de alguém fazendo suas primeiras tentativas, com novos aparelhos, em lugares novos, descobrindo que a capinha de esponja que vem com o microfone Rode iXY para iPhone transforma o impacto do vento em um ruído grave que atravessa praticamente todas as gravações feitas ao ar livre, cobrindo outros detalhes. Ainda não adquiri um fone de ouvido melhor, por isso não estou ouvindo por aparelhos na hora dos registros e não me dei conta do possível resultado. No instante de gravar, estava dedicada a uma escuta não mediada pelo equipamento. Então vocês vão acompanhar meu desenvolvimento na prática da gravação de campo no melhor estilo 1) faça-você-mesma e 2) slow-science. Esses são “rascunhos sonoros”. Apreciarei comentários e dicas, na caixa de comentários aí embaixo. :-)

Está rolando um festival de arquitetura puxado pela associação Royal Incorporation of Architects in Scotland, que está fazendo cem anos e decidiu puxar uma grande retrospectiva do período. Os eventos estão ligados ao Ano da Inovação, Arquitetura e Design, que a Escócia celebra em 2016. Mas para conhecer o particular Glasgow Style, nada como seguir pela maior cidade escocesa os traços de seus maiores expoentes, o casal Margareth Macdonald e Charles Rennie Mackintosh. Algo no que a Glasgow School of Art se dispõe a ajudar diariamente, oferecendo visitas guiadas curtas ou mesmo caminhadas de duas horas e meia pela cidade, ministradas por ex-alunos.

Às vezes, no entanto, o que a gente quer ouvir mesmo é a cidade pulsando. Caminhar pela Sauchiehall Street quando as pessoas estão indo ou voltando do trabalho pode proporcionar o encontro com muitos músicos de rua. Eles também estão em outras esquinas nas proximidades, seja pela Buchanan cheia de lojas ou na George Square, a principal praça.

George Square, centro de Glásgua

George Square, centro de Glásgua

Tocador de gaita de fole, na rua Buchanan

Tocador de gaita de fole, na rua Buchanan

Das gravações que fiz nesses lugares, pude perceber a presença constante das gaivotas. A Escócia é o habitat natural de muitas espécies e algumas se adaptaram tão bem ao ambiente urbano que podem até ser consideradas um problema nessas áreas. No verão boreal, especialmente entre julho e agosto, as fêmeas protegem seus ninhos com um fervor capaz de provocar danos a prédios e sustos a transeuntes alvos de seus voos rasantes.

Oban

Bem grandinhas, algumas Herring Gulls chegam a pousar nas pessoas ou roubar seus fish and chips (peixe e fritas, comida bem comum no Reino Unido). Foi o que me alertou uma senhora ao lado de quem fiz passeio às Highlands, uma região belíssima e uma das menos povoadas de toda a Europa. Entre paradas em castelos e mirantes, tive a oportunidade de fazer gravações em Oban, que possui um porto intenso e uma costaneira acolhedora, cheia de turistas, principalmente num dia ensolarado de verão como aquele.

Oban, Highlands do oeste, Escócia

Oban, Highlands do oeste, Escócia

Percurso de gravação - Oban, Highlands, Escócia

Percurso da gravação

Algo que já marcou mais fortemente a diferença entre as Highlands e as Lowlands: a língua. Nas terras altas, falava-se o gaélico escocês. Pelas placas de trânsito no caminho, parece evocar um som bem diferente do inglês – que, por sua vez, tem um sotaque bem forte na Escócia, bastante particular. Então em Glasgow, nas Lowlands, tem-se o som desse inglês de articulação escocesa, enquanto nas Highlands ainda é possível ouvir o gaélico. Mas infelizmente não deu pra mim.

Cada vez menos falado, o gaélico é a língua dos clãs que se insurgiram contra a coroa inglesa na época do jacobitismo, os mesmos que usavam os tartãs, aqueles tecidos de padrões quadriculados, hoje tão característicos do país. Atualmente, há tentativas de não deixar o gaélico morrer, como a produção de programas de TV e ensino nas escolas. O gaélico escocês é um pouco diferente do irlandês, mas ambos possuem uma ligação ancestral com o português. Nosso idioma foi influenciado pelas línguas celtas que um dia soaram no território atualmente conhecido como Portugal. É o caso do celtibérico, do galaico e do lusitano.

E por falar no que se extingue, não poderia deixar de mencionar a caminhada sonora pela Necrópolis de Glásgua, um cemitério fascinante localizado em uma colina, de onde se tem uma vista espetacular da cidade. Ouve-se muito vento nas árvores e vários pássaros que vivem aqui, e que obviamente não se pode ouvir no Brasil. Eventualmente, escuta-se os passos e a conversa indistinta de outros visitantes que passam, seja porque o espaço é amplo, os grupos dispersos, ou porque as pessoas acabam falando baixo mesmo, em respeito ao lugar. O volume dos zunidos e estrondos mecânicos, elétricos e eletrônicos do ambiente urbano podem ser regulados na caminhada: mais altos nas bordas, mais baixos quanto mais nos embrenhamos por entre as lápides. Lembrei de John Cage dizendo que silêncio absoluto só existe na morte.

Depois de uma volta pela Necrópolis, peguei a passarela de pedra sobre a via de carros que separa o cemitério da Catedral de São Mungo. Essa construção gótica da Idade Média, única da Escócia a passar incólume pela Reforma, não leva apenas o nome do padroeiro católico da cidade, mas também guarda sua tumba desde o século V, quando se converteu em centro de peregrinação. Que sons se faziam ouvir ali em torno, séculos e séculos atrás?

Órgãos de tubos da Catedral de São Mungo (esq) e da galeria e museu Kelvingrove (dir)

Órgãos de tubos da Catedral de São Mungo (esq) e da galeria e museu Kelvingrove (dir)

Em 1879 foi instalado um órgão de tubos, restaurado em 1996. Quando cheguei à nave de St. Mungo, estavam apertando algumas teclas, para manutenção do instrumento. Diferente do momento em que cheguei a Kelvingrove, quando estava começando o concerto de órgão gratuito que essa galeria de arte e museu promove todos os dias, às 13 horas. As dimensões desse prédio são menores que a catedral, mas a suntuosidade do fim do século XIX está ali, e o salão é grande o suficiente para funcionar como uma grande caixa de ressonância. Parte absolutamente indissociável do órgão de 1901, enquanto instrumento musical. Impossível não lembrar do livro de Emily Thompson sobre arquitetura, som e modernidade, apesar da obra se dedicar à cultura aural do início do século XX nos Estados Unidos, e não na Europa.

Salão centrol da galeria de arte e museu de Kelvingrove

Salão centrol da galeria de arte e museu de Kelvingrove

Ainda haveria uma parada a fazer, em busca da experiência de ouvir órgãos de tubos, que seria na Catedral Metropolitana de St. Andrew, à beira do rio Clyde. Mas desde 2009 ele está desmontado. Enquanto levantam fundos para trazer de volta o instrumento de 1903, usam um órgão eletrônico. Estar lá, em pessoa, pode parecer ainda mais desnecessário quando se sabe que a arquidiocese transmite diretamente da catedral pela internet. Mas tudo depende. Por que estar aqui em Glásgua ouvindo a programação da Radiophrenia no CCA, ao invés de ouvir pela internet em qualquer outro lugar?

 

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Pesquisa

Na estrada

The London Sound Survey

Fase de qualificação do projeto concluída: hora de arrumar as malas para o sanduíche.

Desembarquei há algumas semanas no Reino Unido, para iniciar minha pesquisa de campo e para participar do fechamento do projeto Creative Industries, Cities and Popular Music Scenes: The Social Media Mapping of Urban Music Scenes, financiado pela Capes, via Ciência Sem Fronteiras.

O POA Music Scenes (como é mais conhecido) vem sendo capiteaneado pela professora Adriana Amaral, que trouxe à UNISINOS Michael Goddard, co-editor dos livros Reverberations: The Philosophy, Aesthetics and Politics of Noise (2012) e Resonances: Noise and Contemporary Music (2013).

Prof. Michael Goddard semana passada, no simpósio "Mapeando Cenas da Música Pop", em POA

Prof. Michael Goddard semana passada, no simpósio “Mapeando Cenas da Música Pop”, na UNISINOS

Tive a oportunidade de cursar a disciplina em que ele tratou de psicogeografia, cenas musicais urbanas e métodos de mapeamento, tendo o bairro da Cidade Baixa como objeto. É Goddard quem me recebe nos próximos meses, abrindo caminhos entre Manchester e Londres.

Esse circuito já começa sendo alargado para além da Inglaterra, com visitas à Escócia e à Irlanda do Norte. Neste momento, estou em Glasgow, atraída pela segunda edição do festival Radiophrenia (que pode ser ouvido online até dia 11/09) e pela oportunidade de conhecer o Cris, integrante dos Sleepwalkers, banda da cena independente brasileira dos anos 1990 que sempre me chamou atenção. Sobre esses encontros escreverei mais em breve.

Também contarei com mais detalhes como Glasgow tem proporcionado também a escuta de gigantescos órgãos de tubo em edifícios maravilhosos, além de muitas rotas interessantes para caminhadas sonoras, que estou registrando em áudio e em mapas colhidos com ajuda de GPS.

A próxima parada será a cidade de Derry/Londonderry, onde na próxima semana acontece o encontro anual da Associação Irlandesa de Som, Ciência e Tecnologia, a ISSTA. O tema será Zonas Autônomas Temporárias (TAZ), aludindo também às ideias de Henri Lefebvre em A Produção do Espaço. Parece que caiu como uma luva.

ISSTA 2016

Vou tentando deixar o blog atualizado durante essas andanças, mas quando a gente bota o pé na estrada, a estrada reclama praticamente toda nossa atenção. O que, especialmente em termos metodológicos, não deixa de ser um grande desafio.

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Arte, Gravação, Pesquisa

Tradução: “Fishing for underground sounds”

“The following interview with Marco Scarassatti – conducted by Thaís Aragão – was first published in portuguese on the Escuta Nova Onda blog run by the aforementioned researcher. It was done during the time when Marco Scarassatti just had released Rios Enclausurados on a local independent label called Seminal Records. This release was based on a series of field recordings that captured the sounds of Belo Horizonte covered and now underground rivers. (Rui Chaves)

Thaís: How did you get to know about the city’s underground rivers? Why, and how did they caught your attention?

I discovered this in a ‘derive’ through the city. I had bought a bus ticket to Campinas in a Saturday afternoon, although the bus was scheduled to leave late that evening. I decided to go out and to let myself be taken by the sounds of the city. In one of the streets that I turned to, more precisely at ‘Rio Grande do Norte’, I heard a sound coming below street level. I got closer to a water drainage hole in the middle of the street – and I was suprised by what I saw. After that, I started paying attention and realised that the city had these ‘holes’ located in different streets.”

Full interview

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Arte, Eventos, Pesquisa

Qualificação de Doutorado + Dia Mundial da Escuta 2016

Saíram os detalhes da defesa da minha qualificação. A entrada é franca, colem lá!

Título: “ESCUTA, GRAVAÇÃO, PLATAFORMA WEB: FAZER MAPA SONORO COMO CONJUNTO DE PRÁTICAS DE MÍDIA”

Quando: 18 de julho de 2016, às 15h

Onde: Sala D01 316, no PPGCOM da UNISINOS (São Leopoldo-RS)

Banca: Prof. Dr. Deivison Campos (ULBRA), Prof. Dr. João Damasceno Martin Ladeira (UNISINOS) e Prof. Dr. Fabrício Lopes da Silveira (UNISINOS – orientador)

 

Audição de paisagens sonoras e caminhada na Cidade Baixa

Rafael de Oliveira no Desconcerto do Parangolé

Rafael de Oliveira por Rafael de Oliveira

E para esquentar os tamborins, neste sábado (16/08) vamos comemorar o Dia Mundial da Escuta este ano lá no Parangolé, nosso bar em Porto Alegre. Confiram o release:

Aderindo às atividades do Dia Mundial da Escuta, que este ano elege o tema “Sons perdidos e achados”, o projeto Desconcerto convida o compositor Rafael de Oliveira para mergulhar em seus arquivos e compartilhar paisagens sonoras com o público no dia 16 de julho, sábado, às 18h30, no bar Parangolé (Lima e Silva, 240).

Realizado desde 2010, em 18 de julho, em várias partes do mundo, o Dia Mundial da Escuta lembra o aniversário do compositor canadense R. Murray Schafer, autor do conceito de paisagem sonora. Em meados dos anos 1960, no Canadá, Schafer criou o World Soundscape Project, com a proposta de fazer uma análise do ambiente acústico. Esse contexto ensejou o início de uma linha da composição, as paisagens sonoras, que explora musicalmente os sons presentes no ambiente.

Compositor e pesquisador porto-alegrense dedicado às paisagens sonoras, Rafael de Oliveira começa esta edição especial do Desconcerto com 26 perguntas do norte-americano John Cage, na intenção de provocar a reflexão sobre o que é som e o que é música. Em seguida, apresenta três composições de sua autoria: “Construção 3”, sobre um prédio em construção; “Postal: 12/10/2013”, recorte dos sons de seu cotidiano no período em que viveu em Portugal; e “Massa e Energia”, na qual problematiza a questão da materialidade do som.

Complementando a comemoração do Dia Mundial da Escuta, na segunda-feira (18/08), o projeto realiza uma caminhada sonora pela Cidade Baixa, com o objetivo de atentar para os sons do bairro mais boêmio de Porto Alegre. Saída do Parangolé, às 20h.

Para o Desconcerto, não é cobrado um valor fixo de couvert artístico, mas se sugere uma contribuição espontânea, de R$ 5 a R$ 20. Reservas pelo (51) 3019-6898.

Rafael de Oliveira
Compositor brasileiro, graduado em composição musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi também bolsista de pesquisa no CME – Centro de Música Eletrônica, tendo recebido dois prêmios nos projetos desenvolvidos. Suas obras foram estreadas em festivais e apresentadas em concertos de música contemporânea no Brasil, Canadá e em diversos países europeus. Produziu trilhas sonoras para vídeos e instalações em parceria com artistas visuais. Residiu em Portugal para frequentar o programa de Doutoramento em Música da Universidade de Aveiro, integrando o CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica, onde obteve uma premiação pela pesquisa desenvolvida e uma menção honrosa para a obra “Massa e Energia”. Seu trabalho é voltado para a música eletroacústica e a sua fusão com as paisagens sonoras.

O projeto Desconcerto
O Desconcerto foi inspirado em projetos que têm levado essa tradição musical a bares e casas noturnas na Europa e nos Estados Unidos (como Classical Revolution e The Night Shift). Tomar um chope enquanto assiste ao recital? Pode. Aplaudir quando uma passagem causa entusiasmo ou entre os movimentos, e não só ao final da peça? Sinta-se à vontade. O objetivo é justamente apresentar a música de concerto em um formato diferente do convencional, transgredindo códigos que conferem um ar sisudo a essa tradição e a afastam do público, e estimulando novas formas de performance e escuta. Ainda que distante das condições acústicas ideais à execução desse repertório, o projeto dá aos músicos a oportunidade de experimentar a performance em um ambiente que favorece a interação com o público e de aproximar seu trabalho de pessoas que não costumam ir a concertos e recitais em teatros, mas que gostam de música e frequentam a boemia da Cidade Baixa.

O quê: Desconcerto #11 – Especial Dia Mundial da Escuta, com Rafael de Oliveira
Programa: Rafael de Oliveira – “Construção 3”, “Postal: 12/10/2013” e “Massa e Energia”
Quando: Dia 16 de julho de 2016, sábado, às 18h30*
Onde: Parangolé Bar (Lima e Silva, 240, Cidade Baixa, Porto Alegre-RS)
Quanto: Contribuição espontânea
Informações e reservas pelo (51) 3019-6898

* Atividade complementar: caminhada sonora pela Cidade Baixa, na segunda-feira (18), com partida do Parangolé às 20h.

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