Arte, Eventos, Pesquisa

Qualificação de Doutorado + Dia Mundial da Escuta 2016

Saíram os detalhes da defesa da minha qualificação. A entrada é franca, colem lá!

Título: “ESCUTA, GRAVAÇÃO, PLATAFORMA WEB: FAZER MAPA SONORO COMO CONJUNTO DE PRÁTICAS DE MÍDIA”

Quando: 18 de julho de 2016, às 15h

Onde: Sala D01 316, no PPGCOM da UNISINOS (São Leopoldo-RS)

Banca: Prof. Dr. Deivison Campos (ULBRA), Prof. Dr. João Damasceno Martin Ladeira (UNISINOS) e Prof. Dr. Fabrício Lopes da Silveira (UNISINOS – orientador)

 

Audição de paisagens sonoras e caminhada na Cidade Baixa

Rafael de Oliveira no Desconcerto do Parangolé

Rafael de Oliveira por Rafael de Oliveira

E para esquentar os tamborins, neste sábado (16/08) vamos comemorar o Dia Mundial da Escuta este ano lá no Parangolé, nosso bar em Porto Alegre. Confiram o release:

Aderindo às atividades do Dia Mundial da Escuta, que este ano elege o tema “Sons perdidos e achados”, o projeto Desconcerto convida o compositor Rafael de Oliveira para mergulhar em seus arquivos e compartilhar paisagens sonoras com o público no dia 16 de julho, sábado, às 18h30, no bar Parangolé (Lima e Silva, 240).

Realizado desde 2010, em 18 de julho, em várias partes do mundo, o Dia Mundial da Escuta lembra o aniversário do compositor canadense R. Murray Schafer, autor do conceito de paisagem sonora. Em meados dos anos 1960, no Canadá, Schafer criou o World Soundscape Project, com a proposta de fazer uma análise do ambiente acústico. Esse contexto ensejou o início de uma linha da composição, as paisagens sonoras, que explora musicalmente os sons presentes no ambiente.

Compositor e pesquisador porto-alegrense dedicado às paisagens sonoras, Rafael de Oliveira começa esta edição especial do Desconcerto com 26 perguntas do norte-americano John Cage, na intenção de provocar a reflexão sobre o que é som e o que é música. Em seguida, apresenta três composições de sua autoria: “Construção 3”, sobre um prédio em construção; “Postal: 12/10/2013”, recorte dos sons de seu cotidiano no período em que viveu em Portugal; e “Massa e Energia”, na qual problematiza a questão da materialidade do som.

Complementando a comemoração do Dia Mundial da Escuta, na segunda-feira (18/08), o projeto realiza uma caminhada sonora pela Cidade Baixa, com o objetivo de atentar para os sons do bairro mais boêmio de Porto Alegre. Saída do Parangolé, às 20h.

Para o Desconcerto, não é cobrado um valor fixo de couvert artístico, mas se sugere uma contribuição espontânea, de R$ 5 a R$ 20. Reservas pelo (51) 3019-6898.

Rafael de Oliveira
Compositor brasileiro, graduado em composição musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi também bolsista de pesquisa no CME – Centro de Música Eletrônica, tendo recebido dois prêmios nos projetos desenvolvidos. Suas obras foram estreadas em festivais e apresentadas em concertos de música contemporânea no Brasil, Canadá e em diversos países europeus. Produziu trilhas sonoras para vídeos e instalações em parceria com artistas visuais. Residiu em Portugal para frequentar o programa de Doutoramento em Música da Universidade de Aveiro, integrando o CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica, onde obteve uma premiação pela pesquisa desenvolvida e uma menção honrosa para a obra “Massa e Energia”. Seu trabalho é voltado para a música eletroacústica e a sua fusão com as paisagens sonoras.

O projeto Desconcerto
O Desconcerto foi inspirado em projetos que têm levado essa tradição musical a bares e casas noturnas na Europa e nos Estados Unidos (como Classical Revolution e The Night Shift). Tomar um chope enquanto assiste ao recital? Pode. Aplaudir quando uma passagem causa entusiasmo ou entre os movimentos, e não só ao final da peça? Sinta-se à vontade. O objetivo é justamente apresentar a música de concerto em um formato diferente do convencional, transgredindo códigos que conferem um ar sisudo a essa tradição e a afastam do público, e estimulando novas formas de performance e escuta. Ainda que distante das condições acústicas ideais à execução desse repertório, o projeto dá aos músicos a oportunidade de experimentar a performance em um ambiente que favorece a interação com o público e de aproximar seu trabalho de pessoas que não costumam ir a concertos e recitais em teatros, mas que gostam de música e frequentam a boemia da Cidade Baixa.

O quê: Desconcerto #11 – Especial Dia Mundial da Escuta, com Rafael de Oliveira
Programa: Rafael de Oliveira – “Construção 3”, “Postal: 12/10/2013” e “Massa e Energia”
Quando: Dia 16 de julho de 2016, sábado, às 18h30*
Onde: Parangolé Bar (Lima e Silva, 240, Cidade Baixa, Porto Alegre-RS)
Quanto: Contribuição espontânea
Informações e reservas pelo (51) 3019-6898

* Atividade complementar: caminhada sonora pela Cidade Baixa, na segunda-feira (18), com partida do Parangolé às 20h.

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Arte, Leituras, Pesquisa

Real imaginário do mapa 1:1

 

“O mapa está fechado, mas a zona autônoma está aberta. Metaforicamente, ela se desdobra por dentro das dimensões fractais invisíveis à cartografia do Controle. E aqui podemos apresentar o conceito de psicotopologia (e psicotopografia) como uma ‘ciência’ alternativa àquela da pesquisa e criação de mapas e ‘imperialismo psíquico’ do Estado. Apenas a psicotopografia é capaz de desenhar mapas da realidade em escala 1:1, porque apenas a mente humana tem a complexidade suficiente para modelar o real. Mas

um mapa 1:1 não pode ‘controlar’ seu território, porque ele é completamente idêntico a esse território.

Ele pode ser usado apenas para sugerir ou, de certo modo, indicar através de gestos algumas características. Estamos à procura de ‘espaços’ (geográficos, sociais, culturais, imaginários) com potencial de florescer como zonas autônomas – dos momentos em que estejam relativamente abertos, seja por negligência do Estado ou pelo fato de terem passado despercebidos pelos cartógrafos, ou por qualquer outra razão. A psicotopologia é a arte de submergir em busca de potenciais ZATs.”

Hakim BeyZona Autônoma Temporária

 

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Música, Pesquisa

Humano, máquina, natureza

Algumas canções não saem da minha cabeça enquanto reviso a bibliografia. No momento, duas tocam ao mesmo tempo: The Man Machine, do Kraftwerk, e Human Nature, da Madonna. Além disso, os versos da Bjork chegam atravessando para definir o sentimento de estar debruçada sobre esse tema de pesquisa.

“If you ever get close to a human and human behavior, be ready to get confused…”

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Eventos, Pesquisa

Para ouvir a bibliografia

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Em novembro, teremos a oportunidade de assistir no Brasil a conferências de importantes autoras e autores do campo dos sound studies. Ana Maria Ochoa, Cathy Lane, Georgina Born e Rodolfo Caesar estão entre as principais palestrantes com presença confirmada no Sonologia 2016 – Out of Phase. O evento está sendo organizado pelo NuSom, núcleo de pesquisas da USP.

A chamada de artigos foi lançada e recebe até 5 de junho [atualização: PRORROGADO até 19 de junho] resumos expandidos em inglês, idioma do evento. A ideia é conectar a produção latino-americana a outros circuitos internacionais. São bem vindos pesquisadores de diversos campos de estudo: música e tecnologia, antropologia, filosofia, estudos de gênero, mídia, performance e estudos culturais, além de música contemporânea, popular e experimental.

Será que a gente se encontra por lá?

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Leituras, Pesquisa

O encontro: Doreen Massey {1944-2016}

Doreen Massey em Madri, junho de 2012. (Foto: DarkMoMo CC BY-SA 3.0)

Doreen Massey em Madri, junho de 2012. (Foto: DarkMoMo CC BY-SA 3.0)

Fui surpreendida ontem nas redes sociais com post do geógrafo Rogério Haesbaert sobre a partida de Doreen Massey. Esperava que pudéssemos ainda contar com a sabedoria dela por muitos anos mais. Apenas no ano passado consegui ler de capa a capa seu livro Pelo espaço: Um nova política da espacialidade, que transformou minha imaginação sobre o espaço. Para Massey, o espaço é o encontro de histórias. Um espaço aberto, em devir, inesperado, vivo e desafiador, tão impossível de representar quanto o tempo.

Ao mesmo tempo em que veio ao meu socorro, me ajudando a dar palavras aos sentimentos de incômodo que afloraram quando estava lendo Bergson filosofar sobre a espacialidade, Massey me fez perceber pontos cegos nas formulações de autores como Michel de Certeau. Precisamos estar atentas até nas leituras mais prazerosas!

Ainda em 2005, quando esteve em Fortaleza para o Encontro da Anpege – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia, perguntaram a ela o que achava da geografia que se fazia no Brasil. “Teria que ler mais sobre isto. Não conheço bastante. Mas penso que o que há de mais importante que se faz aqui, como em outros países, é não copiar os modelos estrangeiros. Desenvolver algo próprio.” Fica a grande inspiração.

pelo-espaco-doreen-massey-408301-MLB20305325510_052015-O“O espaço é tão desafiador quanto o tempo. Nem o espaço nem o lugar podem fornecer um refúgio em relação ao mundo. Se o tempo nos apresenta as oportunidades de mudança e (como alguns perceberiam) o terror da morte, então o espaço nos apresenta o social em seu mais amplo sentido: o desafio de nossa inter-relacionalidade constitutiva – e, assim, a nossa implicação coletiva nos resultados dessa inter-relacionalidade, a contemporaneidade radical de uma multiplicidade de outra, humanos e não-humanos, em processo, e o projeto sempre específico e em processo das práticas através das quais essa socioabilidade está sendo configurada.” Último parágrafo do livro.

Abaixo, reproduzo as notas de Haesbaert. Ele ajudou a traduzir Pelo espaço para o português e assinou a apresentação da edição brasileira, em que conta parte da história desse encontro. Fundamental, porque é disso que tudo se trata.

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A notícia do falecimento de Doreen Massey vem só uns poucos meses depois da morte de Edward Soja, outro grande pensador do espaço na contemporaneidade. Um dia triste para a geografia… embora ontem David Harvey tenha levado centenas de pessoas à Cinelândia, no Rio de Janeiro, para a aula pública de encerramento do curso “Cidades Rebeldes“. Salve o espaço!

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