Arte, Gravação, Pesquisa

Tradução: “Fishing for underground sounds”

“The following interview with Marco Scarassatti – conducted by Thaís Aragão – was first published in portuguese on the Escuta Nova Onda blog run by the aforementioned researcher. It was done during the time when Marco Scarassatti just had released Rios Enclausurados on a local independent label called Seminal Records. This release was based on a series of field recordings that captured the sounds of Belo Horizonte covered and now underground rivers. (Rui Chaves)

Thaís: How did you get to know about the city’s underground rivers? Why, and how did they caught your attention?

I discovered this in a ‘derive’ through the city. I had bought a bus ticket to Campinas in a Saturday afternoon, although the bus was scheduled to leave late that evening. I decided to go out and to let myself be taken by the sounds of the city. In one of the streets that I turned to, more precisely at ‘Rio Grande do Norte’, I heard a sound coming below street level. I got closer to a water drainage hole in the middle of the street – and I was suprised by what I saw. After that, I started paying attention and realised that the city had these ‘holes’ located in different streets.”

Full interview

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Arte, Eventos, Pesquisa

Qualificação de Doutorado + Dia Mundial da Escuta 2016

Saíram os detalhes da defesa da minha qualificação. A entrada é franca, colem lá!

Título: “ESCUTA, GRAVAÇÃO, PLATAFORMA WEB: FAZER MAPA SONORO COMO CONJUNTO DE PRÁTICAS DE MÍDIA”

Quando: 18 de julho de 2016, às 15h

Onde: Sala D01 316, no PPGCOM da UNISINOS (São Leopoldo-RS)

Banca: Prof. Dr. Deivison Campos (ULBRA), Prof. Dr. João Damasceno Martin Ladeira (UNISINOS) e Prof. Dr. Fabrício Lopes da Silveira (UNISINOS – orientador)

 

Audição de paisagens sonoras e caminhada na Cidade Baixa

Rafael de Oliveira no Desconcerto do Parangolé

Rafael de Oliveira por Rafael de Oliveira

E para esquentar os tamborins, neste sábado (16/08) vamos comemorar o Dia Mundial da Escuta este ano lá no Parangolé, nosso bar em Porto Alegre. Confiram o release:

Aderindo às atividades do Dia Mundial da Escuta, que este ano elege o tema “Sons perdidos e achados”, o projeto Desconcerto convida o compositor Rafael de Oliveira para mergulhar em seus arquivos e compartilhar paisagens sonoras com o público no dia 16 de julho, sábado, às 18h30, no bar Parangolé (Lima e Silva, 240).

Realizado desde 2010, em 18 de julho, em várias partes do mundo, o Dia Mundial da Escuta lembra o aniversário do compositor canadense R. Murray Schafer, autor do conceito de paisagem sonora. Em meados dos anos 1960, no Canadá, Schafer criou o World Soundscape Project, com a proposta de fazer uma análise do ambiente acústico. Esse contexto ensejou o início de uma linha da composição, as paisagens sonoras, que explora musicalmente os sons presentes no ambiente.

Compositor e pesquisador porto-alegrense dedicado às paisagens sonoras, Rafael de Oliveira começa esta edição especial do Desconcerto com 26 perguntas do norte-americano John Cage, na intenção de provocar a reflexão sobre o que é som e o que é música. Em seguida, apresenta três composições de sua autoria: “Construção 3”, sobre um prédio em construção; “Postal: 12/10/2013”, recorte dos sons de seu cotidiano no período em que viveu em Portugal; e “Massa e Energia”, na qual problematiza a questão da materialidade do som.

Complementando a comemoração do Dia Mundial da Escuta, na segunda-feira (18/08), o projeto realiza uma caminhada sonora pela Cidade Baixa, com o objetivo de atentar para os sons do bairro mais boêmio de Porto Alegre. Saída do Parangolé, às 20h.

Para o Desconcerto, não é cobrado um valor fixo de couvert artístico, mas se sugere uma contribuição espontânea, de R$ 5 a R$ 20. Reservas pelo (51) 3019-6898.

Rafael de Oliveira
Compositor brasileiro, graduado em composição musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi também bolsista de pesquisa no CME – Centro de Música Eletrônica, tendo recebido dois prêmios nos projetos desenvolvidos. Suas obras foram estreadas em festivais e apresentadas em concertos de música contemporânea no Brasil, Canadá e em diversos países europeus. Produziu trilhas sonoras para vídeos e instalações em parceria com artistas visuais. Residiu em Portugal para frequentar o programa de Doutoramento em Música da Universidade de Aveiro, integrando o CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica, onde obteve uma premiação pela pesquisa desenvolvida e uma menção honrosa para a obra “Massa e Energia”. Seu trabalho é voltado para a música eletroacústica e a sua fusão com as paisagens sonoras.

O projeto Desconcerto
O Desconcerto foi inspirado em projetos que têm levado essa tradição musical a bares e casas noturnas na Europa e nos Estados Unidos (como Classical Revolution e The Night Shift). Tomar um chope enquanto assiste ao recital? Pode. Aplaudir quando uma passagem causa entusiasmo ou entre os movimentos, e não só ao final da peça? Sinta-se à vontade. O objetivo é justamente apresentar a música de concerto em um formato diferente do convencional, transgredindo códigos que conferem um ar sisudo a essa tradição e a afastam do público, e estimulando novas formas de performance e escuta. Ainda que distante das condições acústicas ideais à execução desse repertório, o projeto dá aos músicos a oportunidade de experimentar a performance em um ambiente que favorece a interação com o público e de aproximar seu trabalho de pessoas que não costumam ir a concertos e recitais em teatros, mas que gostam de música e frequentam a boemia da Cidade Baixa.

O quê: Desconcerto #11 – Especial Dia Mundial da Escuta, com Rafael de Oliveira
Programa: Rafael de Oliveira – “Construção 3”, “Postal: 12/10/2013” e “Massa e Energia”
Quando: Dia 16 de julho de 2016, sábado, às 18h30*
Onde: Parangolé Bar (Lima e Silva, 240, Cidade Baixa, Porto Alegre-RS)
Quanto: Contribuição espontânea
Informações e reservas pelo (51) 3019-6898

* Atividade complementar: caminhada sonora pela Cidade Baixa, na segunda-feira (18), com partida do Parangolé às 20h.

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Arte, Leituras, Pesquisa

Real imaginário do mapa 1:1

 

“O mapa está fechado, mas a zona autônoma está aberta. Metaforicamente, ela se desdobra por dentro das dimensões fractais invisíveis à cartografia do Controle. E aqui podemos apresentar o conceito de psicotopologia (e psicotopografia) como uma ‘ciência’ alternativa àquela da pesquisa e criação de mapas e ‘imperialismo psíquico’ do Estado. Apenas a psicotopografia é capaz de desenhar mapas da realidade em escala 1:1, porque apenas a mente humana tem a complexidade suficiente para modelar o real. Mas

um mapa 1:1 não pode ‘controlar’ seu território, porque ele é completamente idêntico a esse território.

Ele pode ser usado apenas para sugerir ou, de certo modo, indicar através de gestos algumas características. Estamos à procura de ‘espaços’ (geográficos, sociais, culturais, imaginários) com potencial de florescer como zonas autônomas – dos momentos em que estejam relativamente abertos, seja por negligência do Estado ou pelo fato de terem passado despercebidos pelos cartógrafos, ou por qualquer outra razão. A psicotopologia é a arte de submergir em busca de potenciais ZATs.”

Hakim BeyZona Autônoma Temporária

 

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Música, Pesquisa

Humano, máquina, natureza

Algumas canções não saem da minha cabeça enquanto reviso a bibliografia. No momento, duas tocam ao mesmo tempo: The Man Machine, do Kraftwerk, e Human Nature, da Madonna. Além disso, os versos da Bjork chegam atravessando para definir o sentimento de estar debruçada sobre esse tema de pesquisa.

“If you ever get close to a human and human behavior, be ready to get confused…”

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Eventos, Pesquisa

Para ouvir a bibliografia

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Em novembro, teremos a oportunidade de assistir no Brasil a conferências de importantes autoras e autores do campo dos sound studies. Ana Maria Ochoa, Cathy Lane, Georgina Born e Rodolfo Caesar estão entre as principais palestrantes com presença confirmada no Sonologia 2016 – Out of Phase. O evento está sendo organizado pelo NuSom, núcleo de pesquisas da USP.

A chamada de artigos foi lançada e recebe até 5 de junho [atualização: PRORROGADO até 19 de junho] resumos expandidos em inglês, idioma do evento. A ideia é conectar a produção latino-americana a outros circuitos internacionais. São bem vindos pesquisadores de diversos campos de estudo: música e tecnologia, antropologia, filosofia, estudos de gênero, mídia, performance e estudos culturais, além de música contemporânea, popular e experimental.

Será que a gente se encontra por lá?

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Leituras, Pesquisa

O encontro: Doreen Massey {1944-2016}

Doreen Massey em Madri, junho de 2012. (Foto: DarkMoMo CC BY-SA 3.0)

Doreen Massey em Madri, junho de 2012. (Foto: DarkMoMo CC BY-SA 3.0)

Fui surpreendida ontem nas redes sociais com post do geógrafo Rogério Haesbaert sobre a partida de Doreen Massey. Esperava que pudéssemos ainda contar com a sabedoria dela por muitos anos mais. Apenas no ano passado consegui ler de capa a capa seu livro Pelo espaço: Um nova política da espacialidade, que transformou minha imaginação sobre o espaço. Para Massey, o espaço é o encontro de histórias. Um espaço aberto, em devir, inesperado, vivo e desafiador, tão impossível de representar quanto o tempo.

Ao mesmo tempo em que veio ao meu socorro, me ajudando a dar palavras aos sentimentos de incômodo que afloraram quando estava lendo Bergson filosofar sobre a espacialidade, Massey me fez perceber pontos cegos nas formulações de autores como Michel de Certeau. Precisamos estar atentas até nas leituras mais prazerosas!

Ainda em 2005, quando esteve em Fortaleza para o Encontro da Anpege – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia, perguntaram a ela o que achava da geografia que se fazia no Brasil. “Teria que ler mais sobre isto. Não conheço bastante. Mas penso que o que há de mais importante que se faz aqui, como em outros países, é não copiar os modelos estrangeiros. Desenvolver algo próprio.” Fica a grande inspiração.

pelo-espaco-doreen-massey-408301-MLB20305325510_052015-O“O espaço é tão desafiador quanto o tempo. Nem o espaço nem o lugar podem fornecer um refúgio em relação ao mundo. Se o tempo nos apresenta as oportunidades de mudança e (como alguns perceberiam) o terror da morte, então o espaço nos apresenta o social em seu mais amplo sentido: o desafio de nossa inter-relacionalidade constitutiva – e, assim, a nossa implicação coletiva nos resultados dessa inter-relacionalidade, a contemporaneidade radical de uma multiplicidade de outra, humanos e não-humanos, em processo, e o projeto sempre específico e em processo das práticas através das quais essa socioabilidade está sendo configurada.” Último parágrafo do livro.

Abaixo, reproduzo as notas de Haesbaert. Ele ajudou a traduzir Pelo espaço para o português e assinou a apresentação da edição brasileira, em que conta parte da história desse encontro. Fundamental, porque é disso que tudo se trata.

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A notícia do falecimento de Doreen Massey vem só uns poucos meses depois da morte de Edward Soja, outro grande pensador do espaço na contemporaneidade. Um dia triste para a geografia… embora ontem David Harvey tenha levado centenas de pessoas à Cinelândia, no Rio de Janeiro, para a aula pública de encerramento do curso “Cidades Rebeldes“. Salve o espaço!

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