Gravação, Pesquisa

Potencializando o uso de gravações e diário de sons

5213923919_80ac0510f6_b

Durante a pesquisa do mestrado, passei algum tempo estudando o ambiente sonoro do que chamei de Vizinhança Zero. Nela, havia observado a passagem do vendedor de chegadinho que desencadeou a investigação. Essa exploração consistiu em passar uma porção de tempo de cada uma das 24 horas do dia registrando eventos sonoros. Para isso, usei não só gravações, mas também um diário de sons, no qual registrava por escrito tudo que ouvia.

Bem… tudo, não. Às vezes eram muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo – por isso a importância de gravar. Por outro lado, vi que também me faltava mais léxico para dar conta de todos os sons que rolavam. É aí que entram em jogo trabalhos como “A l’écoute de l’environnement: Répertoire des effets sonores”, que Jean-François Augoyard e Henry Torgue editaram na França (também traduzido para inglês, com prefácio de Murray Schafer).

Extremamente eficazes em nos levar a outro nível de percepção auditiva, essas duas técnicas combinadas necessitam de muito tempo para que se possa extrair delas dados tão interessantes, concretos e avançados quanto a mudança que causam nas habilidades do pesquisador. E pesquisa acadêmica é assim: tem prazos bem estritos, e nem sempre você vai ter tempo para debulhar todo o material que tem em mãos, em patamares mais profundos. Foi o que aconteceu com esse material.

Na semana que se passou, no entanto, pude ter contato com um programa de computador que teria me ajudado a usar melhor aqueles dados – e certamente o fará no futuro. O NVIVO foi apresentado na I Escola de Verão do ILEA – Instituto Latinoamericano de Estudos Avançados da UFRGS e permite realizar análise qualitativa de dados não numéricos e não estruturados. Ele reúne numa só plataforma nossas fontes de pesquisa, suportando importação de arquivos de texto, som, vídeo e imagem, em diversos formatos, passando inclusive por extrações do Twitter e no Facebook (ele lê e organiza as informações de geolocalização das postagens, por exemplo).

1501131_418438408289735_1156298272_o

A mágica é que você vai indexando todo esse material empírico que vai importando para ele, sendo possível fazer cruzamentos complexos de dados de forma mais rápida e precisa do que quando estamos lidando com nossa própria memória. Uma ferramenta como essa certamente permite que as gravações e o diário de sons sejam “casados” e indexados em torno de conceitos, categorias, fontes – ou a partir da categorização de efeitos sonoros sugerida por Augoyard e Torgue, por exemplo. Depois é muito fácil ter acesso a todos os trechos de áudio que foram codificados em nós gerais, que podem seguir a subdivisão desses autores – “Efeitos elementais”, “Efeitos composicionais”; “Efeitos mnemo-perceptivos”; “Efeitos psicomotores”; “Efeitos semânticos” e “Efeitos eletroacústicos”. Fica a dica!

Standard
Gravação

Andanças recentes

Audioboo - Batucada no Parque

—————————————————————————————–

Audioboo - Raimundo dos Queijos 2013

—————————————————————————————–

Audioboo - Duo no parque

—————————————————————————————–

Audioboo - Obras no Porto Maravilha

—————————————————————————————–

Audioboo - Flautistas na Candelária

Standard
Eventos, Internet, Leituras, Pesquisa

Retrospectiva

Aqui trouxe o vídeo do Debate GPIT – Paisagem Sonora, Música e Território, que aconteceu no segundo semestre de 2013. Abaixo vocês encontram alguma bibliografia trazida nas falas.

Thaís Aragão:

AUGOYARD e TORGUE, Sonic experience: a guide to everyday sounds, 2011

JÄRVILUOMA; KYTÖ;TRUAX; UIMONEN & VIKMAN (org.), Acoustic Environment in Change, 2009

PAQUETTE, David. Describing the contemporary sound environment, 2004

Lucas Panitz:

BERQUE, A. Paisagem-Marca, Paisagem-Matriz: Elementos da Problemática para uma Geografia Cultural. In: CORREA, R. L.; ROSENDAHL, Z. Paisagem, Tempo e Cultura. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1998. p. 84-91

DARDEL, E. L’Homme et la terre. Paris: CTHS, 1990 [1952]

HAESBAERT, R. Dos múltiplos territórios à multiterritorialidade. In: HEIDRICH, A. L. et al (Orgs.). A emergência da multiterritorialidade: a ressignificação da relação do humano com o espaço. Porto Alegre, Canoas: Editora da UFRGS, Editora da ULBRA, 2008, p.19-36

HEIDRICH, A. L. Alguns pontos para refletir sobre território, sociedade e cultura (e, vínculos territoriais). Notas de Aulas. Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2009

NOGUÉ i FONT, Joan. El paisatge sonor de la Garrotxa. Revista de Girona, n.111, 1985

RAFFESTIN, C. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993

SACK, R. Human Territoriality: its theory and history. Cambridge: Cambridge University Press, 1986

SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2009

TUAN, Yi-fu. Topofilia: Um Estudo da Percepção, Atitudes e Valores do Meio Ambiente. São Paulo: Difel, 1978. 288p

——–

Atualização em 15 de março de 2014

Rafael de Oliveira:

ATIENZA, Ricardo (2008). Identidad sonora urbana: tiempo, sonido y proyecto urbano. In: Les 4èmes Journées Européennes de la Recherche Architecturale et Urbaine EURAU’08: Paysage Culturel, 16-19 Janvier 2008, Madrid, Espagne.

ATKINSON, Rowland (2007). Ecology of sound: the sonic order of urban space. In: Urban Studies, vol. 44 (10): 1905-1917.

DREVER, John Levack (2002), Soundscape composition: the convergence of ethnographgy and acousmatic music. In: Organised Sound. Vol. 7 (1): 21-27.

HAHN, David (2002). Creating the soundscape for Zagreb Everywhere. In: Organised Sound. Vol. 7 (1): 57-63.

IGES, José (2000). Soundscapes: a historical approach. In: eContact!. Volume 3.4.

IOSAFAT, Dani (2009). On Sonification of Place: Psychosonography and Urban Portrait. In: Organised Sound. Vol. 14 (01).

KANG, Jian (2007). Urban Sound Environment. London: Taylor and Francis.

McCARTNEY, Andra (2002). Circumscribed journeys through soundscape composition. In: Organised Sound. Vol. 7 (1): 1-3.

PIJANOWSKI, Bryan C; Villanueva-Rivera, Luis J; Dumyahn, Sarah L; et al. (2011). Soundscape Ecology: the Science of Sound in the Landscape. In: BioScience. Vol. 61 (3): 203–216.

SCHAFER, Robert Murray [1975] (2001). A afinação do mundo. São Paulo: Editora Edusp.

TRUAX, Barry (1984). Acoustic Communication. New Jersey: Ablex Publishing.

TRUAX, Barry (2002). Genres and techniques of soundscape composition as developed at Simon Fraser University. In: Organised Sound. Vol. 7 (1): 5-14.

YOUNG, John (2007). Reflections on sound image design in electroacoustic music. In: Organised Sound, vol. 12 (01): 25-33.

WESTERKAMP, Hildegard (1995). The Soundscape Newsletter, No. 10: Fevereiro de 1995.

WESTERKAMP, Hildegard (2002). Linking Soundscape Composition and Acoustic Ecology. In: Organised Sound. Vol. 7 (01).

WRIGHTSON, Kendall (1999). An introduction to Acoustic Ecology. In: Journal of Electroacoustic Music. Vol.12 (march).

Standard

Sherlock

Curiosidades

Elementar

Imagem
Curiosidades

Sound of Honda :: Presença de Ayrton Senna

Esse trabalho evoca muita coisa. Para alguns, até o espírito de um dos maiores corredores de todos os tempos. No mínimo, rastros sonoros de mentes brilhantes em seus melhores momentos.

A partir de dados deixados por Ayrton Senna, a Honda trouxe novamente para a pista de Suzuka o ronco do motor que projetou para a McLaren MP4/5 manejada pelo piloto em 1989, quando ele quebrou o recorde do circuito no treino classificatório do GP do Japão. A instalação – que se desdobra em uma série de vídeos (inclusive documentário e 3D) – dura o tempo cravado de 1min38s041. Ressoa!

Vale a pena clicar em “Sound & Data” e “3D View” no hotsite do Ayrton Senna 1989 Project, e acompanhar o som pari passu com as informações de velocidade, câmbio, rotação do motor, tempo na volta, localização no traçado da pista, distância da reta de chegada. A Honda não poderia recriar essa experiência - e nós não poderíamos participar dela – se não fosse a tecnologia de telemetria que a empresa estava lançando naqueles anos 80, e que está sendo lembrada com essa ação.

Ayrton Senna 1989_2

 

Standard
Curiosidades

Grilos cantantes

POLÊMICA! Jim Wilson realmente obteve os sons dessa impressionante faixa desacelerando gravações de grilos ou é a voz da cantora de ópera Bonnie Jo Hunt modificada até que tudo soasse de fato como algo divino?

Mais sobre as discordâncias nos comentários desta matéria: http://bit.ly/1ajAnME

E aqui você escuta a história contada por Bonnie Jo Hunt (que aliás é uma indígena norte-americana).

Standard